segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Um Pai Natal Sui Generis



Não sei se alguma vez acreditei realmente que o Pai Natal existia, mas quero acreditar que sim, porque é uma história com magia, de um velhote com barbas brancas que se lembra dos meninos e lhes dá algo que é pago com sorrisos. Nos primeiros Natais da minha vida deitei-me sempre cedo. No dia seguinte, quando ia à sala onde estava a Árvore de Natal percebia que alguém tinha estado ali, e esse alguém só podia ter sido o Pai Natal. Os meus pais observavam-me sorridentes e eu sorria para eles: Como é que eles tinham conseguido o contacto do Pai Natal eu não sei, mas a verdade é que tinha corrido bem. Aos meus dois, três anos começou a existir a necessidade de ter a presença física do Pai Natal: "Oh mãe, só hoje... deixa-me ficar acordada para o ver, vá lá..." E então começou a voluntariar-se todos os anos uma pessoa para fazer de velhote das barbas brancas. Nesses Natais pensava que era alguém que se mascarava, por isso, comecei a estar sempre atenta para ver se ninguém se escapava. Mas  estava tudo muito bem organizado e, de uma maneira ou de outra, lá alguém se vestia a rigor de Pai Natal e batia à porta. Até que, quando já tinha uns quatro anos aconteceu o inevitável: estava na hora de abrir os presentes e o Pai Natal ainda não tinha chegado. Eu e o meu primo olhávamos pela janela e nada: "Queres ver que o Pai Natal não deu com a morada..." Anos mais tarde fiquei a saber que naquele Natal se tinham esquecido de decidir quem seria o velhote das barbas brancas e portanto tiveram que improvisar, e que improvisação! Eis que aparece um homem magro, com o roupão vermelho da minha tia, algodão branco a fazer de barba, mas a deixar ver o bigode castanho por baixo e para rematar uma touca de banho às flores. Sem dúvida que o efeito surpresa correu bem, se calhar foi mesmo o ano que correu melhor. Os olhares dos adultos incidiram sobre mim e sobre o meu primo: será que este Pai Natal cumpria todos os requisitos?... Sorrimos os dois nervosamente. Eu, entredentes, sem tirar os olhos do Pai Natal, disse à minha mãe: "Mãe, não fiques triste mas o Pai Natal é o Nando..." Enfim... foi a queda de um mito, mas eu estava sobretudo triste pela minha mãe, estava preocupada com a forma como ela iria ultrapassar toda a situação!... Mas estava ali para lhe dar todo o meu apoio!...

Nesta quadra natalícia

Troquem sorrisos,
Ofereçam abraços,
Dêem beijos,
Partilhem palavras,
Espalhem magia!

Feliz Natal!...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Janela das Manas




Sim, hoje resolvi inaugurar e abrir outra janela: a janela das manas. Há coisas que são só nossas e que vão permanecer com cada uma de nós, mas há outras que vou partilhar, porque merecem ser partilhadas, porque fazem parte de uma história linda, uma história contada de mão dada. Costumo dizer: se não fossemos irmãs, havíamo-nos de nos encontrar e ser melhores amigas. Simplesmente o Universo tornou tudo mais simples ao permitir que viéssemos da mesma barriga. Histórias para rir, outras para pensar e sorrir serão contadas nesta janela. Até breve!...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Recrutar Personagens




Hoje vou partilhar com vocês um exercício que adoro fazer. Quando vou a um restaurante gosto de observar os diversos grupos sentados nas mesas vizinhas. "Tu és mas é cusca!" Não, não é cusquice, não estou ali para invadir a privacidade de ninguém, nem  para me entranhar nas suas vidas, não!.... Limito-me a observar posturas, tentando adivinhar os seus parentescos. Numa primeira abordagem parece fácil: "Ora o casal de meia idade que se sentou agora são o pai e a mãe e os outros são os filhos que devem andar na universidade e vieram passar o fim-de-semana a casa. Humm, a forma como o rapaz olhou para a rapariga não é de irmãos... Ah!... Já sei, é o almoço de apresentação da namorada! Ou será ao contrário?... Vamos ver como é que a acção se desenrola. E senhora mais velhota que está na mesa, quem será? Deve ser a avó, sim, mas mãe da mãe ou do pai? E o avô? Será que já não há avô? E eis que chega um sr. velhote, vindo da casa de banho. Mas o avô não se sentou ao pé da avó, porquê? Estarão zangados?.... Ahhh... Não, não são um casal, são avós desencontrados..." Enfim é um bom exercício para "recrutar personagens" para as minhas histórias.
Pensamos que não, mas falamos muito com o corpo, com o modo como olhamos, com o sorriso ou não que damos, com a forma como nos sentamos e colocamos as mãos. Dizemos tanta coisa sem sabermos...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As Mensagens das Bolas de Sabão




As MENSAGENS DAS BOLAS DE SABÃO 
não são simples postais para guardar numa gaveta. 

São LEMBRETES para o nosso dia-a-dia, são pequenos momentos de breves reflexões que deviamos ter diariamente, são espaços de tempo suspensos numa bola de sabão, são olhares sobre o nosso quotidiano. Partilhe com os Amigos e Familiares Bolas de Sabão este Natal: LEMBRE-SE DAS COISAS SIMPLES DA VIDA!...







Perfume os seus dias com 
Mensagens das Bolas de Sabão!...





Emoções Fortes 
logo pela manhã!...



Faça uma Pausa 
para Saborear a Vida!...




Lembre-se das 
Coisas Simples da Vida!...






Entrelace os seus dias com 
Mensagens das Bolas de Sabão!...






Desembrulhe o Momento!...


Encomende as suas Bolas de Sabão:

mensagens.bolasdesabao@gmail.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

De Mão Dada com o Passado





Fizeram-me uma pergunta: "Imagina que estás na tua linha do tempo. Onde colocarias o teu passado?" A resposta mais natural e dada sem pensar seria: "o passado é lá atrás." Mas na verdade, não foi esta resposta que eu dei, pois não é isso que realmente sinto. Sou uma nostálgica e saudosista por natureza. Não vivo no passado, mas ele acompanha-me no meu dia-a-dia. Não está arrumado num baú, está ali ao meu lado, sempre disponível para eu mergulhar nele na busca de boas energias, para reviver momentos com uma grande carga emocional. Sinto que tenho uma enorme capacidade de viajar na minha linha do tempo e preciso disso é a minha área de conforto, a minha manta. Não vejo necessidade de o passado estar arrumado, porque o passado já foi presente, já foi uma mistura de emoções, já foi aqui e agora, já foi experiência e isso não se guarda numa gaveta, isso vive connosco, contribuiu para o que somos hoje e eu não estou arrumada numa prateleira, eu estou aqui , com o meu presente, o meu passado e o meu futuro!...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Filme da Minha Vida




O cachopo é muito traquina e activo, mas quando ouve o Ruca na televisão pára tudo: primeiro corre de um lado para o outro excitado e com os braços no ar e depois acalma-se, senta-se e eu faço-lhe companhia. Ficamos os dois no chão: ele a olhar para a televisão e eu a olhar para ele. Ali estamos deliciados a ver os nossos protagonistas preferidos: ele vê o Ruca e eu vejo o Principezinho. O cachopo já conhece os episódios de cor. Repete as frases do Ruca, e eu já conheço meticulosamente todas as expressões do rosto do meu cachopo de acordo com a história que ele avidamente assiste: o sorriso contido à espera do momento certo para soltar a gargalhada, os olhinhos pequeninos a absorverem todos os pormenores e a antecipar as frases do Ruca e dos seus companheiros, o beicinho que faz quando o "seu amigo" tropeça, e por aí fora. Dizem-me:  "aproveita, eles crescem num instante..." Sim, é verdade, mas sinto que tenho conseguido gerir o tempo e suspendê-lo numa bola de sabão para poder apreciar todas as emoções espelhadas nos seus olhos. Fico encantada a desembrulhar cada momento, cada expressão, cada gesto do meu Principezinho. Ali estamos os dois extasiados a ver o filme da nossa vida.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Afinal tenho uma espécie de Varanda




Há uns tempos atrás falei-vos da minha necessidade de ter uma varanda... Um espaço de tempo, um tempo com espaço para me desconectar do mundo e me ligar a mim, ao meu turbilhão interior.  A não ser que mudasse de casa, não ia conseguir arranjar uma varanda. Afinal não é nada que se possa comprar e mandar instalar. Se calhar um dia destes o Ikea ainda inventa uma coisa dessas, mas até lá tinha que pôr a imaginação a funcionar, pois encontrar uma varanda tinha-se tornado num assunto de carácter urgente. Não foi preciso pensar muito para perceber que havia outro espaço em casa com as mesmas funcionalidades que procurava numa varanda. O cachopo já dormia, os meus afazeres diários estavam cumpridos, era o meu momento. Fui tomar um duche quente. Entrei na banheira e fechei a cortina. Tinha entrado na minha varanda, no meu espaço de tempo. Conseguia ouvir-me, os pensamentos estavam fluídos, o som da água ajudou-me a relaxar, os vapores permitiram uma breve abstracção. Fechei os olhos e esbocei um sorriso: afinal ia todos os dias à "minha varanda" e não me tinha apercebido.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Aviar uma receita não é tão simples como parece



Mais um tesourinho de gargalhadas guardado no baú das bolas de sabão. Tinha ido passar o fim-de-semana a casa dos meus pais. Era sábado de manhã e havia rotinas para se cumprir: ir buscar o pão, ir ao supermercado, ir aos jornais e outros pequenos afazeres. O nosso cão tinha sido atropelado há três dias e era preciso também ir à farmácia. Eu ficara incubida das tarefas da rua. Em relação à farmácia o meu pai disse-me: "Vai à farmácia, é preciso antibiótico para o cão, está aqui a receita." E lá fui eu tomar conta da ocorrência. Tudo correu dentro da normalidade e sem grandes precalços até chegar à farmácia: "É para aviar esta receita." disse. O farmacêutico leu, colocou o antibiótico em cima do balcão e perguntou-me: "Os supositórios de glicerina são para criança ou para adulto?" "Supositórios?" "Sim, está aqui na receita." Não sabia que o meu pai tinha acrescentado esse medicamento, mas respondi prontamente: "Pois, não sei. É para o cão, não tenho a certeza da idade, mas é grande." O farmacêutico sorriu e disse: "Nesse caso é melhor levar para adulto." "Pois, é capaz de ser melhor." disse eu e pensei também com um sorriso: "O meu pai a pôr um supositório no cão vai ser bonito de se ver..." Mas, a verdade é que a minha missão estava cumprida. Eu tinha aviado a receita, em relação à missão do meu pai é que não estava tão certa que tivesse sucesso. Cheguei a casa: "Está aqui tudo o que pediram. Depois pai, hás-de me explicar como se põe um supositório num cão." O meu pai olhou-me surpreendido e respondeu: "Mas que supositórios?... Ah!... Os supositórios da receita? Esses são para nós. Acabaram cá em casa , por isso pedi para comprares." E começou-se a rir: "Imagino a conversa na farmácia." e ria, ria, ria, ria...
Vá riam-se vocês também que nem uns perdidos. A mim também já me dói a barriga de tanto rir. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Sala de Espera


"Não, isso não é para mim, o meu tempo já passou." ; "Já estou velhote, não se preocupe comigo. Já vivi o que tinha a viver."; "Afinal, não vamos almoçar. Já estamos velhos para esses convívios, não vale a pena." Ouvimos muitas vezes estas frases dos mais idosos e sinceramente que me incomoda, que me perturba pois vejo nessas pessoas uma morte antecipada, uma postura que muitas vezes é provocada pela própria sociedade, por familiares ou simplesmente a perspectiva da própria pessoa sobre a vida. A sala de estar das suas casas passou a ser a sala de espera... É terrível e revoltante pensar nisto mas a verdade é que acontece. Está em nós mudar o olhar deles sobre as coisas e provar-lhes a sua importância nas nossas vidas: pela experiência que têm, pela paciência que tiveram connosco quando eramos pequenos, que continuam a ser-nos queridos e úteis, que continuam a ser pessoas e não se foram tornando transparentes ao longo da sua vida. A sua presença continua a marcar os nossos dias. Quando vou na rua desafio muitas vezes os olhares dos velhotes com um "bom dia". Sinto que se surpreendem ao perceberem que reparei neles, que desafiei o seu olhar que ainda está cheio de vida, uma vida contida. Devolvem sempre um sorriso e retribuem o cumprimento: "Bom dia, menina." É um gesto simples e que pode fazer a diferença.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Breves Momentos numa Realidade Paralela




Nos meus tempos de estudante vivi numa residência universitária. Foram 5 anos da minha vida, que recordo com saudade e com um brilhozinho nos olhos. Conheci pessoas extraordinárias, aconteceram boas partilhas que guardo comigo e episódios divertidos que vou ter que contar. Seria um crime guardar estes tesourinhos!... Então aqui vai um momento hilariante que me aconteceu e digo momento porque foram realmente breves momentos, embora na altura me tenha  parecido uma eternidade. Aconteceu provavelmente no primeiro mês que lá estive e na primeira vez que fui à sala da televisão. Era sábado à noite e decidimos ir para a sala  ver um episódio de Ficheiros Secretos.  Eu não era grande fã da série mas fui pelo convívio. Vimos a primeira parte até ao intervalo e depois decidi ir à casa-de-banho. Uma das particularidades desta residência é o elevador. Tinha daqueles com duas portas de grade com fole, uma de cada lado do elevador. De um lado ficavam os quartos das estudantes e do outro os quartos das senhoras da comunidade e de uma forma geral, não era suposto circularmos nesse lado. Pois é, eu entrei no elevador, subi ao 5º andar e fui até ao fundo do corredor onde era o meu quarto. Parecia tudo mais calmo e escuro que o habitual. Na verdade o corredor era estranho... Cheguei ao fundo do corredor e não dei com o quarto. "Mas como é possível?" Voltei a confirmar que estava no 5ºpiso... "Aí... mas afinal?" Voltei para o elevador, desci e voltei a subir e nada mudara... Confirmava-se: O meu quarto tinha desaparecido!... "Raios partam os Ficheiros Secretos!!" Aquilo mais parecia a continuação do episódio que passou da televisão para aquele corredor. "Estou numa realidade paralela, só pode..." pensava. Bem, tinha que voltar ao ponto de partida e  resolver este mistério, este caso paranormal. Não podia voltar para a sala de televisão sem ter encontrado o quarto perdido. Desci mais uma vez... E de repente ocorreu-me que deveria tentar a outra porta do elevador. A medo corri a porta de fole... Desta vez senti que estava atravessar a fronteira para outro mundo... mas uma vez começada esta viagem tinha que a acabar... E não é que no fundo do corredor estava o meu quarto!... "Ufa!... Missão cumprida." O regresso à sala de televisão foi fácil. O episódio dos Ficheiros Secretos estava quase no fim, mas isso era o menos, estava sã e salva!...
Podem achar que exagerei, que me poderia ter ocorrido mais cedo que me tinha enganado na porta de saída do elevador, mas quem me conhece sabe exactamente que é um episódio absolutamente possível para a minha pessoa, tanto é que me aconteceu!...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sugestão de Presentes para este Natal



As Bolas de Sabão trazem uma sugestão 
original e muito económica para presentes 
este Natal!...

UMA COLECÇÃO DE 5 POSTAIS 
COM MENSAGENS DAS BOLAS DE SABÃO!...


Valor de troca: 
. 5 postais (15cmx10cm) + 1 saquinho natalício  = 3 €



Este Natal surpreenda
 os Amigos e a Família 
com BOLAS DE SABÃO!...

contacto:
mensagens.bolasdesabao@gmail.com


Um Hóspede com todas as Mordomias



Este fim-de-semana chegou cá a casa um novo hóspede: O MICKEY!... O meu filhote como bom anfitrião tem "enchido" o Mickey de mordomias: conta-lhe a história do Ruca,  dá-lhe mimos, passa-lhe as peças do puzzle e até lhe deu um bocadinho de água não fosse ele estar com sede. Mas o grande momento de ternura aconteceu quando se foi deitar com o Mickey. Depois da fralda mudada, coloquei os dois na cama. Dei um beijinho de boa noite ao cachopo e outro ao Mickey e fui-me embora. Passado meia-hora fui espreitá-lo para ver se já dormia. Tal não foi o meu espanto quando dei com ele sentado na cama, com uns olhinhos de sono. "Então, meu amor, ainda não estás a dormir? Olhou para mim e apontou para o Mickey como se me quisesse dizer: "Não vês que o Mickey ainda está sentado, quer conversa e eu não me posso deitar, é falta de educação..." Voltei a deitá-lo e disse ao Mickey: "Agora são horas de fazer óóó." Não foram precisos nem 5 minutos para mergulharem num bom soninho...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Palavra do Dia: Viva!




Para começar esta semana, deixo-vos aqui a palavra que o meu principezinho mais tem utilizado nas últimas semanas: "VIVA!!!" É com entusiasmo que levanta os bracinhos e diz esta palavra várias vezes ao dia com coisas simples que lhe correm bem: quando acaba o puzzle, quando dá um chuto na bola, quando faz uma torre com cubos, quando o pai chega a casa, quando come um bocadinho de pão, quando vê o mickey... Pensamos: "É uma criança, é fácil entusiasmar-se..." A verdade é que, por vezes, nos  esquecemos que já fomos essas crianças, que tínhamos esse olhar mágico sobre as coisas. Estamos à espera de um preciso momento com características muito específicas para conseguir dizer "viva"?... Pois hoje desafio-vos a dizer pelo menos uma vez a palavra "VIVA". Há pequenos pormenores do nosso quotidiano dignos de um "viva" e nem sequer nos apercebemos. Por isso, um "viva" para hoje e com os braços no ar, se não, não faz efeito!...


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Forma Simples de Sair da Rotina




Em tempos, tinha um trabalho para o qual ia sempre de metro. Nunca estive habituada a grandes rotinas e a viagem de metro passou a ser uma. Lembro-me que ligava o piloto automático e o percurso acabava por me dar alguma sonolência. Foi então que resolvi fazer um exercício tão simples e tão enriquecedor: quando saia de casa escolhia uma banda sonora para a viagem e colocava os phones que só tirava quando chegava ao trabalho. A banda sonora de cada dia proporcionava-me um olhar diferente num percurso que era sempre o mesmo. Cada música filtrava o meu olhar que o tornava perspicaz a outros pormenores, que ali sempre tinham estado mas que naquele dia tinham tornado o meu caminho rotineiro numa viagem distinta: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Gato Preto Gato Branco, Jurassic Park, Pearl Jam, Dave Mathews Band, Tina Turner são só alguns exemplos que me acompanharam nessas viagens. Não gosto do piloto automático para a vida, pois sinto que perco a capacidade de me surpreender com coisas simples que acontecem à minha volta... Temo esse olhar vazio. 
Aqui fica mais uma sugestão: Por vezes um percurso a pé que fazemos todos os dias pode tornar-se numa experiência enriquecedora somente porque nesse dia fizemos o caminho pelo outro passeio. Pensem nisso...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Conversas entre Mim e Eu



Faço muitas viagens de carro sozinha, na verdade, não me importo, até gosto, porque tenho sempre imenso para falar comigo. É sobretudo uma viagem ao meu interior. Dou por mim a ter grandes diálogos comigo mesma, perguntas, respostas, reflexões, meditações, introspecções, pensar sobre conversas que tive com outras pessoas, voltar a argumentar, reformular a minha resposta ou pensar numa conversa futura. Tenho sempre assuntos para colocar em dia. Mas chega uma altura em que perco o controlo das conversas e começam a acontecer vários diálogos ao mesmo tempo. As palavras começam a atropelar-se: "Sónia, tens que tomar uma decisão em relação a blá, blá... ", "Calma! Antes disso é prioritário que tenhas uma conversa com blá, blá..."
"É verdade, o tema blá, blá dava um interessante texto para o blog...." E depois no meio de todos estes pensamentos surge uma bola de sabão com a gargalhada do meu principezinho.... "Está mesmo lindo o meu cachopo!..." E sorrio... "Hello! Sónia! Estávamos aqui a meio de uma conversa! Afinal em que é que ficamos?..."  E lá bem do fundo do meu pensamento vem a verdadeira Sónia que está ali a ouvir aqueles delírios e atropelos e diz... "Já chega! Tem que falar um de cada vez para ver se a gente se entende! Parece que vamos aqui 300 dentro do carro, ainda pagamos uma multa por excesso de passageiros!..."  Chego a ter que desligar a música porque sinto que somos muitos a falar, portanto imaginem!... Não chamo a estas conversas confrontos comigo, pois não são obrigatórias, acontecem naturalmente, estou em constante diálogo interior. Há sempre algo a contar, a dizer, a partilhar com a minha pessoa. São viagens atribuladas, mas muito enriquecedoras. Sinto que tenho as ideias em trânsito dentro da minha cabeça... Acho que estou a precisar de colocar um ou outro semáforo para tudo fluir melhor!...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gargalhadas Lambuzadas de Chocolate



A bola de sabão de hoje rebentou... É que manter uma gargalhada dentro de uma bola de sabão estava-se mesmo a ver que não ía dar bom resultado. Mas vamos a isto, acredito que uns salpicos desta gargalhada cheguem até aí, vou fazer por isso. Aqui há uns bons anos, numa bela tarde de domingo resolvi experimentar uma receita de um bolo de chocolate que já se andava a meter comigo fazia tempo. Li meticulosamente a receita. Adoro ler receitas, são autênticos poemas que me deixam os sentidos embriagados, e se meter chocolate então, nem se fala. Depois de bem lida e de me ter imaginado a saborear o dito bolo, pus mãos à obra, ou melhor, pus as mãos na massa. Bati os ovos com o açúcar, untei a forma, derreti o chocolate com a manteiga, pré-aqueci o forno, e por aí fora, mas há um momento, um precioso momento, um momento só meu,  em que suspendo o tempo para lhe dar o merecido espaço: o momento de colocar o preparado da massa na forma. Imaginem a próxima descrição em câmara lenta e um sorriso deliciado no meu rosto. Com a ajuda da espátula deito o preparado na forma, mas nesta fase não exijo muito da espátula, só o necessário e que não me deixe a consciência pesada, já vão perceber porquê. Depois de colocar o bolo no forno, pego na espátula e aí sim, espero que seja uma boa espátula, porque me vou lambuzar toda com as sobras que ficaram na taça onde estava o preparado... hummm... depois da espátula vem uma colherzinha de café para rapar os cantinhos, onde a espátula já não conseguia chegar e no fim ainda lá vou com o dedo para o remate final. Não fiquem assustados aqueles que já comeram os meus bolos porque esta parte de "lambuzisse" que acabei de descrever só acontece quando o bolo já está no forno, ok? Fiquem descansados. Depois, a certa altura há sempre uma frase que me invade o pensamento: "Chega, Sónia!" e ponho a taça no lava-loiças, abro a torneira rapidamente antes que me arrependa, e digo para mim: "já chega de me lambuzar." Enquanto o bolo está no forno a crescer, lavo a loiça, a bancada e escolho o prato para colocar a iguaria de chocolate e.... Triiimmmm, disse o forno. O bolo estava pronto. O momento que se segue é para mim sempre o de maior suspense: desenformar. Será que sai direitinho? Dessa vez ficou lindo, direitinho e nem um bocadinho queimado. Estava perfeito e eu estava satisfeita. "Vamos à cobertura!" E não é que nesse momento me apercebi que não havia mais nenhuma tablete de chocolate em casa. Fiquei desolada. Era domingo estava tudo fechado (era naquela altura que o comércio fechava ao domingo). Pensei, pensei e lá me lembrei de um mini-mercado que estaria aberto. Vesti o kispo, puxei o fecho até  cima, porta-moedas no bolso e fui. Cheguei lá e comecei à procura do chocolate, não precisava de mais nada, somente da tablete. Dei a volta à loja e não encontrei. Comecei a ficar irritada. Fui à procura de um empregado: "Desculpe, pode dizer-me onde está o chocolate, é que já procurei por todo o lado e não o encontro." O homem percebeu que eu não estava com muita paciência e achou melhor acompanhar-me até à respectiva prateleira. Apontou para as tabletes com um sorriso e eu agradeci. Fiquei mais serena, afinal não estava tudo perdido. Dirige-me para a caixa. "É só o chocolate?" perguntou a empregada. Sim, é só. Paguei com dinheiro trocado e antes que a senhora colocasse a tablete no saco eu arranquei a toda a velocidade, dizendo: "Deixe estar, não é preciso." Cheguei a casa, estacionei e subi no elevador. Estava feliz. Naquele momento olhei para o espelho do elevador que estava atrás de mim e comecei a rir-me que nem uma perdida: estava com a boca toda suja de chocolate e o nariz também. Tinha-me esquecido de lavar o rosto depois de ter rapado o tacho. "Ai Sónia, só tu..." dizia eu e ria-me. O que terão pensado os empregados do mini-mercado quando me viram desvairada à procura do chocolate: "É melhor não a contrariar, o chocolate deve ter acabado em casa e ela deve estar desesperada". Portanto, nunca se esqueçam: depois do "momento lambuzisse" é sempre preciso limpar as provas do crime!...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O tão Aguardado Momento de Check-out...



Há umas semanas atrás, passei algumas horas no hospital durante as visitas à minha avó. Numa das vezes que esperava no átrio principal pela hora de visitas, comecei a olhar aquelas pessoas que ali se cruzavam de uma forma diferente. Parecia um aeroporto. Pessoas de diferentes cores e raças circulavam por ali. Umas chegavam, outras partiam. Encontros e reencontros. Umas com malas aguardavam na fila para as visitas, a fila de check-in, onde nos davam um pequeno cartão para podermos viajar até ao quarto da pessoa que iamos visitar. Depois de recebermos o passaporte, avançavamos para um outra porta, onde se encontrava um segurança a quem deveriamos mostrar o visto que provava que estavamos aptos a seguir viagem. Continuavamos até à zona dos elevadores, a zona de embarque. Era sempre um avião com meia dúzia de escalas, alguma turbulência e tráfego, mas lá chegavamos ao nosso destino. Na realidade, não era o nosso destino, era um destino forçado para a pessoa que iamos visitar, esses é que eram os verdadeiros turistas que circulavam neste aeroporto. Muitos surgem ali sem passaporte, foi o caso da minha avó, que chegou e embarcou de urgência. Quando caminhava pelo corredor à procura do quarto da avó Nini, cruzava-me sempre com imensos turistas. Sentia nos seus olhares que não queriam ter embarcado nesta viagem. Quando me ía embora  e aguardava pelo elevador, muitos estavam junto a uma janela a pensar no momento de check-out, o chegar a casa, o instante mais aguardado.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Viagem de Férias



A bola de sabão de hoje traz uma memória da qual me recordo com muita saudade: a ida de férias para o Algarve com a família.
A noite da véspera da viagem era sempre uma excitação: preparar as mochilas com os jogos, brinquedos, cassetes, blocos, canetas, com este mundo e aquele e tudo o que lá coubesse. Eu e a mana fazíamos as mochilas em conjunto sempre a confirmar o que cada uma ía levar e se todos os items de brincadeiras estavam cobertos. Posto isto, vinha a minha mãe com as suas maravilhosas listas confirmar se as roupas, sapatos já estavam nas malas. O meu pai ficava responsável por preparar a câmara de video, a máquina fotográfica, os rolos, as cassetes e a banda sonora para a viagem, umas cassetes extraordinárias que havia na altura, do género jackpot 89. Dormir nessa noite era sempre complicado, mas tinhamos mais que  tempo para isso na viagem do dia seguinte. Levantavamo-nos cedo. A minha mãe ultimava o fecho das malas com as bolsas dos cosméticos e o meu pai tinha a missão de fazer o puzzle quando tentava arrumar a bagagem no jipe. Era sempre uma missão quase impossível, mas depois de algumas tentativas ficava perfeito. Eu e a mana comíamos uma bela taça de chocapics, super entusiasmadas, mas surgia sempre uma questão: "Pai, depois do que comemos, quando lá chegarmos podemos ir logo para a água?" "Sim." Dizia a rir-se. Estavamos prontos. Porta de casa fechada, momento de embarque. Levavamos sempre uns colchões desdobráveis castanhos com flores para mais uns primos que pudessem aparecer e como o espaço não era muito no jipe eu e a mana tinhamos que ir em cima dos colchões. Tudo o que fugisse à normalidade era espectacular! Ir em cima dos colchões era o máximo!... E depois seguia-se o momento que ainda hoje nos rimos. "Está tudo? podemos arrancar?" O meu pai ligava a ignição e lá iamos até ao fundo da rua... "Guardaste as bóias das miúdas?" perguntava a minha mãe. "Não..." respondia o meu pai... "Então é melhor voltarmos atrás..." Passado uns minutos, tudo a postos outra vez: "Está tudo? Podemos arrancar?" O meu pai ligava a ignição e lá iamos outra vez até ao fundo da rua... "Pai!!!! Esqueci-me da cassete da Tina Turner!! Ficou na aparelhagem...." "Oh Sónia, levas outras cassetes..." "Oh pai... duas semanas sem a cassete da Tina é muito..." E voltavamos atrás mais uma vez. Passado uns minutos: "É desta? Está tudo, podemos arrancar?" O meu pai voltava a ligar a ignição e mais uma vez não passavamos do fundo da rua. "Não me lembro se fechei a porta da garagem..." Dessa vez, ninguém disse mais nada. Demos meia volta e voltamos  a casa. Depois de termos regressado três vezes, e de já estarmos prontos para mais uma tentativa de iniciarmos a nossa viagem, a minha irmã sai-se com esta: "Pai, não queres fingir que arrancas, mas não arrancas para ver se nos lembramos de mais alguma coisa?" Rimo-nos da pequenita, mas na verdade era um bom plano e dessa vez é que conseguimos rumar ao Algarve. A viagem começava sempre com muitas gargalhadas, mas quando iamos nem a meio do caminho começava: "Oh mãe, olha a minha irmã... está na minha metade do colchão... lá por ser maior porque é que ela tem que dormir ao meu colo? Eu também tenho sono..." Enfim o costume. Passado mais um bocado paravamos para comer uns pêssegos que a minha mãe tinha preparado e para tirarmos a primeira fotografia das férias. Fotografia essa que só iamos ver passado umas três semanas porque tinham que ser reveladas... as fabulosas máquinas de rolo... mas a noite em que as viamos era sempre mágica... Reviviamos as férias outra vez. A fotografia que guardo mais especial dessas viagens, trago na minha memória, memórias deliciosas que me transportam até aquele preciso momento, que partilhei hoje aqui, numa bola de sabão... 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sempre e Nunca






SEMPRE E NUNCA... Duas palavras que transbordam inúmeras emoções, que carregam em si uma grande intensidade de sentimentos. Dizem-nos para não dizermos estas duas palavras porque são muito fortes: "SEMPRE  é tempo de mais e NUNCA, não se sabe se dessa água não beberemos." Mas porquê evitar dizê-las? Porque podemos ser incoerentes a dada altura da nossa vida com a postura que tomámos? Porque vamos ouvir: "eu avisei-te?" e então, qual é o problema de isso acontecer? O ser humano não é estanque, está em constante mutação, a equipar a sua mochila da vida permanentemente com as conversas que tem , com as vivências que vive, com as partilhas que acontecem com as pessoas com que se cruza, num mundo que muda a cada instante. Sou a primeira a defender as emoções que permitem que sejamos sinceros com a nossa pessoa, que estejamos bem connosco. NUNCA e SEMPRE são de facto duas palavras fortíssimas com uma grande carga emocional e que em determinados momentos da nossa vida temos tanta vontade de as dizer porque elas definem exactamente aquele instante, aquela emoção que estamos a viver. Ao evitar dizê-las, estamos a evitar uma emoção que está ali à flor da pele, a rebentar. Porque é que a vamos bloquear? Porque isso nos torna vulneráveis? Porque é uma fragilidade? O NUNCA e o SEMPRE podem ser um momento, mas são momentos verdadeiros, momentos genuínos e é desses momentos que quero ter memórias, de instantes vividos com intensidade, de momentos vividos verdadeiramente!...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Louca mas Feliz


Quando ando a passear com o principezinho no seu carrinho sinto o retorno de olhares cumplíces das pessoas que se cruzam comigo, de mães, pais, avós que sorriem para nós, como que reconhecendo aquele momento tão único de andarmos a passear o nosso bébé com um sorriso na alma. Há dias, levei o cachopo à escola  e depois de lá o ter deixado voltei para casa com o carrinho vazio, tendo passado primeiro pelo café. De uma forma geral, as pessoas quando me vêem com o carrinho oferecem-se sempre para abrir a porta, para me ajudar a subir um degrau e naquele dia não foi excepção. A diferença era quando depois de me ajudarem olhavam para o carrinho para ver a criança, viam que estava vazio. Voltavam a olhar para mim, voltavam a olhar para o carrinho, chegando à conclusão que não era nenhuma alucianção. De facto não estava ali nenhum bébé, mas o meu rosto continuava a ter um sorriso estampado: "Bom dia!" disse eu. "Bom dia..." retribuiu a senhora que me abriu a porta do café. Senti no seu olhar que tinha algo para me dizer, do género: "Olhe, desculpe, eu não sou de intrigas, não a quero preocupar, mas a senhora não leva aí o seu bébé, caso não tenha reparado." Porém, conteve-se, achou melhor não perturbar o meu sorriso sereno. A caminho de casa a sensação foi a mesma: as pessoas sorriam, quando passavam perto do carrinho estranhavam, voltavam a olhar para mim e continham-se, mas acredito que pensavam: "Coitada, com tanta desgraça que anda por aí, deixa-a viver o seu momento de loucura." E lá ía eu, louca mas feliz!...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Funeral do Avô Zé



O funeral do avô Zé foi, provavelmente, o primeiro  a que fui de uma pessoa a quem estava tão emocionalmente ligada. Após o acidente viveu mais um ano entre nós, mas sem memória, eramos presenças para eles, figurantes da sua vida. Era ele que não se lembrava, mas eramos nós que sentiamos não existir. Havia uma esperança de ligação a qualquer momento, um retorno do olhar, mas eram apenas instantes sem profundidade, era um tic-tac, umas vezes está, outras vezes não, e nesse  seu último ano de vida era esse o nosso compasso: tic-tac, tic-tac... Quando estava com ele pedia-lhe muitas vezes um abraço, mas eram abraços desprovidos de emoções, eram encontros terríveis. No dia em que morreu, senti que o voltei a encontrar para lhe dar aquele abraço sincero cheio de emoções, cheio de boas recordações, de idas ao parque, de viagens de comboio. Nesse dia, senti que ele se lembrou de tudo e que estava presente de uma outra forma. Lembro-me de no velório estar sentada a ver amigos, familiares chegarem. Algumas pessoas não conhecia, mas todas elas traziam um bocadinho do meu avô no seu olhar com lágrimas, todas traziam uma peça do puzzle. A memória do meu avô continuava ali, afinal não se tinha perdido. Ele adorava ter pessoas em casa, convívios, almoçaradas e no dia da sua morte conseguiu uma proeza: morreu dia 23 de Dezembro e o funeral foi dia 24, véspera de Natal. Nesse dia, ele conseguiu ter a família toda reunida. Naquele Natal não houve desculpas de vivermos perto ou longe para estarmos juntos, estavamos todos ali, nada era mais importante que aquele abraço. Foi um Natal de emoções fortes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fontes de Energia




Energias...
Energias da terra, da natureza, do mundo
Energias dos amigos, da família, do amor e do amado...

Acredito que quando falamos de energias para a alma não estamos a falar de um assunto esotérico, oculto, enigmático e impenetrável. Para mim, trata-se de algo real e concreto mais do que possamos imaginar. Quando alguém nos sorri e nós sorrimos de volta e isso nos faz sentir bem, foi uma energia que passou para nós, uma boa energia. Podemos chamar-lhes emoções, que não são mais do que energias que nos fazem rir, chorar, que nos arrepiam, que nos entusiasmam, que nos irritam e sentimos isso fisicamente. São estados de espírito que conseguimos identificar nas pessoas à nossa volta, portanto, são visíveis, são reais. Essas energias, em forma de sorrisos, abraços, sol, chuva, conversas, encontros, partilhas, lágrimas, alimentam-nos a alma e são fundamentais para o nosso equílibrio interior. Seja a energia do sol, seja a energia do nosso companheiro, pai ou mãe todas elas são essenciais e é errado pensar que podemos ser alimentados apenas por uma. Pois inconscientemente, vamo-nos tornar possessivos em nos saciar somente com essa energia. Se por um momento, essa pessoa não nos alimentar, porque ela própria está ligada numa rede de emoções, num fluxo de dar e receber, vamo-nos sentir fracos, vulneráveis, porque naquele instante não fomos alimentados. Há uma energia da qual nunca, em momento algum, nos podemos desligar: é a energia da terra, é a capacidade que temos em nos deslumbrar com o mundo à nossa volta, com o sol, com a chuva, com o vento, de ter um olhar perspicaz, sempre atento e disponível em encontrar novas fontes de energia. Está em nós descobrir essa magia das coisas!... 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Metáforas, o Meu Tapete Voador!




Adoro metáforas... Adoro viajar entre as palavras, entrelaçar-me nelas e explorar os seus significados.
A metáfora permite-nos um transporte para outra realidade. Partimos de algo que conhecemos, que nos leva com segurança para essa nova realidade, que antes de a conhecer ficamos com a sensação de a ter já experienciado, pois estamos a definir esse novo mundo através de algo que faz parte da nossa realidade. A metáfora sugere que haja uma descodificação por parte da pessoa que nos ouve, trata-se de uma comparação subentendida e ao decifrar a nossa metáfora viaja connosco no nosso tapete voador. A metáfora para mim é um meio de transporte, na verdade, dos melhores para viajar e explorar as potencialidades da imaginação.




quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nada do que é Importante se Perde Verdadeiramente





No meu imaginário, as pessoas que morrem, não morreram na verdade. Vivem simplesmente num sítio distante e estão incomunicáveis. Continuam por cá, num mundo paralelo. Não nos cruzámos hoje na rua, apenas porque hoje fui trabalhar mais cedo. Não atende o telemóvel porque precisava de descansar e desligou-o. Este ano não passou o Natal connosco porque já tinha combinado com outros familiares passar com eles que vivem longe. Continuo a ter conversas imaginárias com estas pessoas. Sonho com elas, sinto a sua presença. Concordo plenamente com uma frase de Miguel Sousa Tavares, a propósito da morte da sua mãe: "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." As memórias permanecem e através delas, aqueles que partiram, continuam por aqui.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Tá aqui a Mãe!..."


Naquele dia tive um reconhecimento muito especial: o olhar risonho do meu principezinho. Fui buscá-lo à escola. Quando cheguei e o nosso olhar se encontrou houve uma suspensão do tempo, tudo parou, na verdade, o tempo só se suspendeu para mim e para ele, mas isso agora não interessa nada, o importante era o nosso momento e a ligação do nosso olhar. Senti que nos primeiros dias que o ía deixar à escola, o olhar dele ficava triste, como se traísse a sua confiança: "vais-te embora e deixas-me aqui...", e quando o ía buscar, embora quisesse vir comigo não se ria para mim, vinha amuado, sentia-se traído. Mas naquele dia foi diferente, peguei-o ao colo e o nosso sorriso era a continuação um do outro, eram um só sorriso, um sorriso de reconhecimento. O seu olhar dizia-me: "tu vens-me aqui pôr, mas cumpres sempre a promessa de me vires buscar." Regressamos a casa. Ele sempre ao meu colo com a mãozinha no meu peito. Tinha um sorriso sereno e durante o caminho repetia, olhando para mim: "tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..." O brilhozinho nos meus olhos foi inevitável.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Avó Laurinda






A minha avó Laurinda tem uma particularidade que a torna genuína. Quando comenta o sabor de algo que come, fá-lo desta maneira genial: "Comemos uns bifes tão bons, tão bons, tão bons, que até parecia marisco!" "E aquele peixe? Era tão  macio, tão macio, que até parecia puré a desfazer-se na boca!" "As maçãs era tão doces que até pareciam pêssegos!" "E o leite creme? Era tão saboroso que até parecia arroz doce!..." Rimo-nos, mas a forma como ela nos transporta para um paladar para conseguirmos reconhecer a qualidade da comida fá-lo de uma forma única. A verdade é que, sem querer, com as suas viagens pelo mundo dos sabores passamos uma refeição em trânsito, chegando ao fim com a sensação que nos deliciámos num autêntico banquete!...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Abraçar Reencontros


Adoro o momento da chegada. Desde criança que gosto do momento de reencontrar alguém. Lembro-me em pequena de ficar contente quando chegavamos a casa de amigos dos meus pais ou amigos deles que iam lá a casa. Eu até podia não os conhecer, até podiam não ter filhos para eu brincar, mas aquele instante de bater ou abrir a porta, era qualquer coisa de fabuloso. Ficava excitadíssima! As palavras que se trocavam naquele momento, os sorrisos nervosos, os abraços genuínos eram qualquer coisa de delicioso que eu observava risonha. A conversa de adultos que se seguia na sala até podia ser enfadonha para uma criança, mas já tinha valido a pena ter presenciado emoções à flor da pele , gargalhadas sinceras e troca de olhares com brilho. Ainda hoje esses instantes continuam a provocar em mim uma sensação revitalizadora. É um momento em que sinto uma renovação de energias, energias que chegam de um tempo passado que desejo reencontrar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Aqueles Olhinhos Absorviam Tudo



"Trum, trum, trum, tum, tum, trum, trum, trum, tum, tum...", "Hoje não há nada nem a 15 nem a 10, é tudo a 5 euros!", "patrão, tem que analisar a qualidade da camisa." Aqueles olhinhos absorviam tudo. Cada gesto, cada expressão... "Olha a sandes de coirato!" e uma nuvem de fumo com um cheiro muito próprio passa-lhe à frente do rosto. Logo a seguir, no meio do nada, surgem bolas de sabão gigantes,  o mickey e o noddy a esvoaçarem e meninos a comerem nuvens cor-de-rosa.... "Ahhhh...", um sorriso maravilhado com toda aquela história de fantasia que estava a ser contada diante dos seus pequenos olhinhos. Foi assim a primeira ida à feira com o principezinho.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Poção Mágica




Na minha infância, embora nunca confrontada directamente com a morte, pensava muitas vezes nisso, o que seria morrer, o que seria acabar. Às vezes, tinha medo de adormecer e não acordar de manhã, de me apagar... tinha medo, um medo irracional próprio de uma criança. Lembro-me de estar um dia a brincar no meu bairro e não sei a que propósito comecei a falar disso com um vizinho pouco mais novo do que eu. Eu tinha sete anos e ele talvez cinco. E, às páginas tantas, ele disse-me: "uma pessoa quando morre é porque o coração parou, por isso, quando estiver a morrer começo a correr, a correr o mais que conseguir e o coração vai começar a bater muito e eu já não morro." E continuou a brincar. Fiquei a pensar naquilo com um olhar risonho, tudo aquilo fazia sentido para mim, estava mais tranquila. Tinha descoberto a poção mágica da vida!...




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Restyling da Janela do Amor



Ontem estive a rever as minhas janelas, a olhar para elas e houve uma que me incomodou particularmente, a JANELA DO AMOR. Estava a perturbar-me o facto de olhar a janela e ver um coração partido, retalhado. O coração é um todo onde as emoções se misturam, relacionam, colidem, discutem, conversam. O coração não está organizado por gavetas nem etiquetas, é um turbilhão de sentimentos que se atropelam. Por isso, resolvi fazer um restyling desta janela. Olhar para ela agora trouxe-me mais serenidade, o coração, não é um puzzle é uma peça única com uma complexidade muito própria.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Queria Só dar-lhe Beijinhos nas Bochechas


Naquele momento não queria mais nada, queria só o olhar dela, queria só a mão dela, queria só dar-lhe beijinhos nas bochechas, queria só abraçá-la... estava com um medo terrível que o estúpido acidente tivesse levado o nosso laço do coração, o laço apertadinho que nos unia desde o dia em que nasci. Estava com medo que história se repetisse no momento que a visse, tal como há anos atrás tinha acontecido com o meu avô, que embora o acidente lhe tivesse poupado a vida por mais algum tempo, levou-lhe o que todos nós temos de mais valioso, a  memória, as ligações com os outros. Estava com medo, com muito medo desse reencontro, mas no meu pensamento repetia para mim: "A história não se repete, a história não se repete." Entrei no quarto do hospital onde ela estava deitada e os meus olhos percorreram todas as camas para ver se a encontrava... e ouvi uma voz: "Oh minha querida, vieste." Ela tinha-me reconhecido primeiro do que eu a ela. Os nossos olhos encheram-se de lágrimas, apertei-lhe as mãos e dei-lhe beijinhos nas bochechas... o laço estava mais forte que nunca... a minha querida avó Nini estava ali e o seu olhar doce também... agora aguardamos com fé o momento em que ela se irá levantar para nos dar um abraço daqueles que só uma avó sabe dar!... Força avó Nini!...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Deixar Alguma Coisa Por Fazer





Tenho um medo avassalador de morrer e deixar alguma coisa por fazer, algo por dizer, algo por viver. É tudo assustadoramente frágil. Ainda outro dia, estava parada num semáforo, com uma energia fora do normal, daqueles dias que estou capaz de mudar o mundo, com a cabeça a fervilhar de mil e um projectos, e de repente sou assaltada por um medo que me preencheu por completo: e se me acontece alguma coisa, para onde vão todas estas ideias, tudo aquilo que quero fazer? Na minha mente os pensamentos atropelavam-se: "primeiro eu!", "não eu sou mais importante!"  estava o autêntico "chinfrim" dentro da minha cabeça.  Voltei para casa, precisava de me acalmar, precisava deixar os pensamentos fluirem, deixá-los conversar. Sentei-me no sofá e fechei os olhos: "Tenho que ver prioridades e deixar de adiar projectos, o tempo deles é agora, não é amanhã. Só cá estamos uma vez, quero que valha a pena!..." Mas porque é que estava com as emoções tão à flor da pele e especialmente naquele dia?... Só depois me apercebi que era dia 31 de Julho, o dia em que o meu avô fazia anos. Um homem activo que do dia para a noite desapareceu num estúpido acidente numa passadeira. A sua memória, as suas ideias, os seus projectos perderam-se no embate. Para mim o meu avô continua a fazer anos porque não o deixei morrer, ele ainda cá está e talvez por isso tenha estado tão sensível naquele dia, queria dar-lhe um abraço!...
Tenho que ir, já estou atrasada... Há muito para fazer!...


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Palavras Suaves para quê?...



Dizer adeus ao mundo, chegar a hora, fechar os olhos, apagar, descansar, estar pronto, sucumbir, findar, deixar de existir, expirar, perecer, falecer, MORRER... Para quê que procuramos palavras suaves para descrever uma realidade cruel e terrível?... Dói menos? É simplesmente uma forma de mascarar a dor, mas ela vai estar sempre lá,  porque o amor que temos por aqueles que morrem não desaparece, a dor apodera-se de nós e asfixia-nos.
O meu avô não disse adeus ao mundo, porque eu fazia parte desse mundo e ele não teve tempo de se despedir de mim,  não, não chegou a hora, porque se não ele teria avisado, não, ele não fechou os olhos, porque nos meus sonhos ele continua com o seu olhar atento a ajudar-me a atravessar a estrada, não, ele não se apagou, porque há uma estrela que brilha mais do que as outras,  não, ele não foi descansar, porque aqui ele já dormia sereno, não, ele não estava pronto, nem chegou a conhecer o principezinho,  não, ele não deixou de existir, continua a habitar no meu coração, não, ele não sucumbiu, , não expirou, não   pereceu, nem faleceu, o meu avô MORREU, não há forma doce e suave dizer isto!... Depois de tomar esta consciência, depois de fazer o luto está em mim recuperar essa pessoa que perdi e fazê-lo renascer através das memórias que guardo!...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Onde está a Minha Varanda?





Gostava tanto de ter uma varanda... um espaço arejado... um espaço de tempo, um tempo com espaço. Às vezes a janela não me chega, não me chega a lufada de ar fresco que entra ou a corrente de ar que põe tudo de pantanas, às vezes precisava  de ir para essa varanda, para eu própria estar nesse alvoroço, para eu própria sentir fazer parte dessa brisa fresca. Sinto necessidade de um espaço onde por momentos me desconecto, e fico em comunhão comigo, com os meus pensamentos, com a minha turbilhão interior, com as emoções em trânsito dentro de mim, um momento em que suspendo o tempo e posso respirar com serenidade sem pensar que já estou atrasada quando regressar ao mundo que não parou e continua tudo a andar a uma velocidade alucinante...

Preciso de um espaço, onde me possa desligar por instantes ou, porque não dizer, preciso de um espaço para me ligar a mim.


Onde está a minha varanda?...