segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Brindar, Brindar, Brindar!


Outro dia, desafiei o meu filhote a fazermos "Tchim, tchim". Sem saber o que era, disse logo: "Sim, mãe!" Pelo nome pareceu-lhe ser um jogo divertido e seguimos os dois para a cozinha. Dei-lhe um copo para a mão com um bocadinho de água e preparei outro para eu beber. Com os olhos postos em mim e com as duas mãozinhas a segurar o copo, aguardava que eu ditasse as regras do jogo. Avancei com o meu copo, toquei no dele e disse: "Tchim, tchim!" E ele, com um sorriso de orelha a orelha, repetiu: "Tim, tim" e bebemos um pouco de água. A partir daí foi ele a comandar as tropas. Vários "Tins, tins" se seguiram.  Enquanto ele bebia, só lhe conseguia ver os olhinhos risonhos que antecipavam já o próximo brinde. Olhava para ele divertida e ele dizia-me: "Bébi, mãe!" Sim, porque eu já me tinha esquecido de beber, apetecia-me ficar, apenas, a beber do seu sorriso encantador. Há quem me diga: "Não se brinda com água! Coloca umas gotinhas de sumo, qualquer coisa!" Pois desculpem-me, mas  acho que devemos brindar com o que temos à mão e se é água que temos, é com água que brindamos! Não nos devemos privar de comemorar o momento, porque não temos a bebida adequada: "Ah, espera aí, que vou ali buscar uma garrafa! Epá, não encontro o abre-garrafas..." e às tantas o momento foi-se.  Um brinde verdadeiro é aquele que surge sem mais nem menos, é uma força do instante, e são esses "tchins, tchins" que sabem bem, porque são genuínos! Se não houver nada para beber, então que se batam as palmas, que se dê um abraço, o brinde será aquilo que nós queremos que ele seja, mas acima de tudo deve ser um gesto natural, é essa a sua magia! E sim, nos últimos dias, antes do cachopo se deitar fazemos vários "tchins, tchins" com água, porque todos dias são merecedores de comemorar as nossas vidas!...


TCHIM! TCHIM!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Viagem de Tapete Voador



Tomei coragem, sentei-me no tapete voador e lá fui eu. No início da viagem sentia um frio na barriga. Temia uma queda vertiginosa. Expectativas, medos e bloqueios atropelavam-se dentro de mim. Resolvi abrandar o ritmo da viagem para poder apreciar as vistas. Afinal só tinha a ganhar.
 É assim que recordo os dias que antecederam o curso da escrever, escrever que decidi fazer. A simpática recepção das pessoas que ali trabalham facilitaram o início da viagem. As matérias foram primorosamente abordadas e a discussão dos temas surgia naturalmente. Em todas as sessões, havia um momento que eu receava: o confronto com a folha de papel em branco. A verdade, é que consegui surpreender-me: o impulso de escrever era mais forte. Não era preciso muito tempo para que as palavras transbordassem para o papel, as ideias fervilhassem no meu pensamento e a emoção e o prazer da escrita comandassem o ritmo de enfrentar aquela folha imaculada. Na segunda sessão, já não olhei para o  desafio de escrita como um confronto, mas antes como um diálogo, um diálogo delicioso entre mim e as palavras que ali estava a escrever. Encarei este curso como um desafio, que ao longo das sessões se revelou uma extraordinária descoberta.
Aos apaixonados da escrita, aconselho, vivamente, a frequentarem um curso da escrever, escrever. Existem vários, direccionados para diferentes tipos de escrita.
O vento que temia enfrentar na viagem de tapete voador deu lugar a uma lufada de ar fresco, uma brisa que me trouxe boas ideias.
Aterrei com um brilhozinho nos olhos.

Obrigada.




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Rock Your World





Ligam-se as luzes, ouvem-se os primeiros acordes, uma estrutura alta começa a descer. A diva aparece em todo o seu esplendor. Os fumos tornam a chegada mais misteriosa. Só podia ser ela: Tina Turner!... Inevitavelmente no refrão junto-me a ela e é o êxtase: Big wheel keep on turning, Proud mary keep on burning, And we're rolling, rolling, Rolling on the river... Sem deixar a multidão acalmar chega a minha querida amiga Liza Minnelli. Começa serena, mas deixando adivinhar um fim deslumbrante. Mais uma vez, aproximo-me dela para o desfecho do tema: I'll make a brand new start of it, In oooold New Yoooork, If I can make it there, I'll make it anywhere, come on, come thoug, New York, New Yoooooooooork! O fôlego quase me falta mas seria impossível não acompanhar a poderosa Aretha Franklin em R-E-S-P-E-C-T, find out what it means to me, R-E-S-P-E-C-T, take care , TCB, Oh ( sock it to me, sock it to me) a little respect (sock it to me, sock it to me) Whoa, babe, just a little bit, a little respect... E de um momento para outro as luzes apagam-se e o silêncio torna-se alto. Acabei de chegar ao trabalho. Estacionei o carro e desliguei o rádio. Tudo não passou de um extraordinário momento em que dei largas à imaginação, saltei para o palco, para junto de três maravilhosas artistas  e em conjunto interpretámos temas cheios de garra. Saí do carro. As pessoas cruzavam-se comigo, enquanto me dirigia para o meu gabinete. Ninguém podia adivinhar o que tinha acontecido naquela viagem, que as divas tinham vindo comigo. "Lá ia a pacata Sónia...", mas na verdade sentia-me poderosa para enfrentar mais um dia de trabalho. Estava capaz de mudar o mundo. 

"Rock your world!"









segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Vai-e-Vem de Olhares



O olhar de uma criança é para mim das coisas mais lindas, talvez porque seja algo genuíno, algo verdadeiro, é exactamente aquilo. Quando estou num café ou restaurante delicio-me a navegar pelas famílias que por ali passam. Antes de ser mãe, mergulhava apenas no olhar das crianças. Nesse mergulho, conseguia regressar à minha infância. De repente tinha seis anos e estava sentada na mesa do lado, a olhar pelos olhos daquele menino, a sentir o seu prazer em se lambuzar com uma bola de berlim ou a alegria de ganhar um simples jogo do galo. Sempre tive essa facilidade, de viajar na linha do tempo e de regressar à minha infância as vezes que me apetecem. Gosto de continuar a sentir os pequenos prazeres de quando era criança. O ser mãe, deu-me outras faculdades, o de também conseguir mergulhar no olhar dos pais, e poder ler as suas preocupações e encantamentos... Lêem-se tão bem os seus rostos. Gosto deste vai-e-vem de emoções... Ora estar em missão com o meu filho a fazermos um puzzle, ora estar em missão de educá-lo, de lhe ensinar coisas e observar aqueles olhinhos a absorver tudo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dieta Alimentar para a Vida


"Come bem, deita-te cedo, pratica um desporto para cresceres de forma saudável." 
Será isto o suficiente para crescermos bem? Eu diria que isto é apenas uma parte para o nosso bom crescimento físico, mas há outras coisas igualmente importantes  e que, de maneira nenhuma, são prescindíveis: são elas os laços que criamos com as pessoas à nossa volta. O fluxo de sentimentos que daí nasce, permite fortalecer esses laços, pois nessa troca de emoções estão "vitaminas" essenciais ao nosso crescimento. 
Lembro-me da primeira consulta do cachopo, tinha apenas 5 dias. A pediatra disse para o despir. E, antes de fazer alguma coisa, deixou que a expressão corporal dele falasse e só depois comentou: "vê-se que é um bébé que está bem com ele próprio. Aprecie a forma como ele se espreguiça, é um bébé tranquilo." 
Estava à espera que naquela consulta fossemos falar apenas de amamentação, horas de sono, vacinas, mas não. Aqueles breves momentos da consulta fizeram toda a diferença ao perceber como é crucial este lado da "alimentação" de um bébé. De alimentar a sua tranquilidade, de alimentar a sua confiança e segurança, de o apertar contra o peito para ele ouvir o meu coração, provavelmente o som mais familiar para ele durante a gravidez. Eu própria, enquanto mãe "acabadinha de nascer" senti-me bem, tranquila e segura naquele instante. 
Os mimos fazem-nos crescer saudáveis, por isso, em momento algum se esqueçam de incluir mimos na vossa "dieta alimentar"!...