quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fontes de Energia




Energias...
Energias da terra, da natureza, do mundo
Energias dos amigos, da família, do amor e do amado...

Acredito que quando falamos de energias para a alma não estamos a falar de um assunto esotérico, oculto, enigmático e impenetrável. Para mim, trata-se de algo real e concreto mais do que possamos imaginar. Quando alguém nos sorri e nós sorrimos de volta e isso nos faz sentir bem, foi uma energia que passou para nós, uma boa energia. Podemos chamar-lhes emoções, que não são mais do que energias que nos fazem rir, chorar, que nos arrepiam, que nos entusiasmam, que nos irritam e sentimos isso fisicamente. São estados de espírito que conseguimos identificar nas pessoas à nossa volta, portanto, são visíveis, são reais. Essas energias, em forma de sorrisos, abraços, sol, chuva, conversas, encontros, partilhas, lágrimas, alimentam-nos a alma e são fundamentais para o nosso equílibrio interior. Seja a energia do sol, seja a energia do nosso companheiro, pai ou mãe todas elas são essenciais e é errado pensar que podemos ser alimentados apenas por uma. Pois inconscientemente, vamo-nos tornar possessivos em nos saciar somente com essa energia. Se por um momento, essa pessoa não nos alimentar, porque ela própria está ligada numa rede de emoções, num fluxo de dar e receber, vamo-nos sentir fracos, vulneráveis, porque naquele instante não fomos alimentados. Há uma energia da qual nunca, em momento algum, nos podemos desligar: é a energia da terra, é a capacidade que temos em nos deslumbrar com o mundo à nossa volta, com o sol, com a chuva, com o vento, de ter um olhar perspicaz, sempre atento e disponível em encontrar novas fontes de energia. Está em nós descobrir essa magia das coisas!... 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Metáforas, o Meu Tapete Voador!




Adoro metáforas... Adoro viajar entre as palavras, entrelaçar-me nelas e explorar os seus significados.
A metáfora permite-nos um transporte para outra realidade. Partimos de algo que conhecemos, que nos leva com segurança para essa nova realidade, que antes de a conhecer ficamos com a sensação de a ter já experienciado, pois estamos a definir esse novo mundo através de algo que faz parte da nossa realidade. A metáfora sugere que haja uma descodificação por parte da pessoa que nos ouve, trata-se de uma comparação subentendida e ao decifrar a nossa metáfora viaja connosco no nosso tapete voador. A metáfora para mim é um meio de transporte, na verdade, dos melhores para viajar e explorar as potencialidades da imaginação.




quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nada do que é Importante se Perde Verdadeiramente





No meu imaginário, as pessoas que morrem, não morreram na verdade. Vivem simplesmente num sítio distante e estão incomunicáveis. Continuam por cá, num mundo paralelo. Não nos cruzámos hoje na rua, apenas porque hoje fui trabalhar mais cedo. Não atende o telemóvel porque precisava de descansar e desligou-o. Este ano não passou o Natal connosco porque já tinha combinado com outros familiares passar com eles que vivem longe. Continuo a ter conversas imaginárias com estas pessoas. Sonho com elas, sinto a sua presença. Concordo plenamente com uma frase de Miguel Sousa Tavares, a propósito da morte da sua mãe: "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." As memórias permanecem e através delas, aqueles que partiram, continuam por aqui.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Tá aqui a Mãe!..."


Naquele dia tive um reconhecimento muito especial: o olhar risonho do meu principezinho. Fui buscá-lo à escola. Quando cheguei e o nosso olhar se encontrou houve uma suspensão do tempo, tudo parou, na verdade, o tempo só se suspendeu para mim e para ele, mas isso agora não interessa nada, o importante era o nosso momento e a ligação do nosso olhar. Senti que nos primeiros dias que o ía deixar à escola, o olhar dele ficava triste, como se traísse a sua confiança: "vais-te embora e deixas-me aqui...", e quando o ía buscar, embora quisesse vir comigo não se ria para mim, vinha amuado, sentia-se traído. Mas naquele dia foi diferente, peguei-o ao colo e o nosso sorriso era a continuação um do outro, eram um só sorriso, um sorriso de reconhecimento. O seu olhar dizia-me: "tu vens-me aqui pôr, mas cumpres sempre a promessa de me vires buscar." Regressamos a casa. Ele sempre ao meu colo com a mãozinha no meu peito. Tinha um sorriso sereno e durante o caminho repetia, olhando para mim: "tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..." O brilhozinho nos meus olhos foi inevitável.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Avó Laurinda






A minha avó Laurinda tem uma particularidade que a torna genuína. Quando comenta o sabor de algo que come, fá-lo desta maneira genial: "Comemos uns bifes tão bons, tão bons, tão bons, que até parecia marisco!" "E aquele peixe? Era tão  macio, tão macio, que até parecia puré a desfazer-se na boca!" "As maçãs era tão doces que até pareciam pêssegos!" "E o leite creme? Era tão saboroso que até parecia arroz doce!..." Rimo-nos, mas a forma como ela nos transporta para um paladar para conseguirmos reconhecer a qualidade da comida fá-lo de uma forma única. A verdade é que, sem querer, com as suas viagens pelo mundo dos sabores passamos uma refeição em trânsito, chegando ao fim com a sensação que nos deliciámos num autêntico banquete!...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Abraçar Reencontros


Adoro o momento da chegada. Desde criança que gosto do momento de reencontrar alguém. Lembro-me em pequena de ficar contente quando chegavamos a casa de amigos dos meus pais ou amigos deles que iam lá a casa. Eu até podia não os conhecer, até podiam não ter filhos para eu brincar, mas aquele instante de bater ou abrir a porta, era qualquer coisa de fabuloso. Ficava excitadíssima! As palavras que se trocavam naquele momento, os sorrisos nervosos, os abraços genuínos eram qualquer coisa de delicioso que eu observava risonha. A conversa de adultos que se seguia na sala até podia ser enfadonha para uma criança, mas já tinha valido a pena ter presenciado emoções à flor da pele , gargalhadas sinceras e troca de olhares com brilho. Ainda hoje esses instantes continuam a provocar em mim uma sensação revitalizadora. É um momento em que sinto uma renovação de energias, energias que chegam de um tempo passado que desejo reencontrar.