sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Nada do que é Importante se Perde Verdadeiramente
No meu imaginário, as pessoas que morrem, não morreram na verdade. Vivem simplesmente num sítio distante e estão incomunicáveis. Continuam por cá, num mundo paralelo. Não nos cruzámos hoje na rua, apenas porque hoje fui trabalhar mais cedo. Não atende o telemóvel porque precisava de descansar e desligou-o. Este ano não passou o Natal connosco porque já tinha combinado com outros familiares passar com eles que vivem longe. Continuo a ter conversas imaginárias com estas pessoas. Sonho com elas, sinto a sua presença. Concordo plenamente com uma frase de Miguel Sousa Tavares, a propósito da morte da sua mãe: "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." As memórias permanecem e através delas, aqueles que partiram, continuam por aqui.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
"Tá aqui a Mãe!..."
Naquele dia tive um reconhecimento muito especial: o olhar risonho do meu principezinho. Fui buscá-lo à escola. Quando cheguei e o nosso olhar se encontrou houve uma suspensão do tempo, tudo parou, na verdade, o tempo só se suspendeu para mim e para ele, mas isso agora não interessa nada, o importante era o nosso momento e a ligação do nosso olhar. Senti que nos primeiros dias que o ía deixar à escola, o olhar dele ficava triste, como se traísse a sua confiança: "vais-te embora e deixas-me aqui...", e quando o ía buscar, embora quisesse vir comigo não se ria para mim, vinha amuado, sentia-se traído. Mas naquele dia foi diferente, peguei-o ao colo e o nosso sorriso era a continuação um do outro, eram um só sorriso, um sorriso de reconhecimento. O seu olhar dizia-me: "tu vens-me aqui pôr, mas cumpres sempre a promessa de me vires buscar." Regressamos a casa. Ele sempre ao meu colo com a mãozinha no meu peito. Tinha um sorriso sereno e durante o caminho repetia, olhando para mim: "tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..., tá aqui a mãe..." O brilhozinho nos meus olhos foi inevitável.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Avó Laurinda
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Abraçar Reencontros
Adoro o momento da chegada. Desde criança que gosto do momento de reencontrar alguém. Lembro-me em pequena de ficar contente quando chegavamos a casa de amigos dos meus pais ou amigos deles que iam lá a casa. Eu até podia não os conhecer, até podiam não ter filhos para eu brincar, mas aquele instante de bater ou abrir a porta, era qualquer coisa de fabuloso. Ficava excitadíssima! As palavras que se trocavam naquele momento, os sorrisos nervosos, os abraços genuínos eram qualquer coisa de delicioso que eu observava risonha. A conversa de adultos que se seguia na sala até podia ser enfadonha para uma criança, mas já tinha valido a pena ter presenciado emoções à flor da pele , gargalhadas sinceras e troca de olhares com brilho. Ainda hoje esses instantes continuam a provocar em mim uma sensação revitalizadora. É um momento em que sinto uma renovação de energias, energias que chegam de um tempo passado que desejo reencontrar.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Aqueles Olhinhos Absorviam Tudo
"Trum, trum, trum, tum, tum, trum, trum, trum, tum, tum...", "Hoje não há nada nem a 15 nem a 10, é tudo a 5 euros!", "patrão, tem que analisar a qualidade da camisa." Aqueles olhinhos absorviam tudo. Cada gesto, cada expressão... "Olha a sandes de coirato!" e uma nuvem de fumo com um cheiro muito próprio passa-lhe à frente do rosto. Logo a seguir, no meio do nada, surgem bolas de sabão gigantes, o mickey e o noddy a esvoaçarem e meninos a comerem nuvens cor-de-rosa.... "Ahhhh...", um sorriso maravilhado com toda aquela história de fantasia que estava a ser contada diante dos seus pequenos olhinhos. Foi assim a primeira ida à feira com o principezinho.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Poção Mágica
Na minha infância, embora nunca confrontada directamente com a morte, pensava muitas vezes nisso, o que seria morrer, o que seria acabar. Às vezes, tinha medo de adormecer e não acordar de manhã, de me apagar... tinha medo, um medo irracional próprio de uma criança. Lembro-me de estar um dia a brincar no meu bairro e não sei a que propósito comecei a falar disso com um vizinho pouco mais novo do que eu. Eu tinha sete anos e ele talvez cinco. E, às páginas tantas, ele disse-me: "uma pessoa quando morre é porque o coração parou, por isso, quando estiver a morrer começo a correr, a correr o mais que conseguir e o coração vai começar a bater muito e eu já não morro." E continuou a brincar. Fiquei a pensar naquilo com um olhar risonho, tudo aquilo fazia sentido para mim, estava mais tranquila. Tinha descoberto a poção mágica da vida!...
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